Trabalho artesanal

Além de aprender uma profissão, o grupo é preparado para disputar uma vaga no mercado de trabalho.
No Instituto Reciclar, as pilhas de papel descartado ganham um destino nobre.

“Hoje nós temos 60 empresas que doam todo o lixo do escritório para nós. Esse lixo do escritório que é basicamente os papéis, ele vem pra cá e aqui ele sofre um processo de seleção”, diz João da Cruz Filho, gerente de produção.

A reciclagem é artesanal. O papel fica de molho por 24 horas. Água, cola e corantes são misturados com o material.

Em seguida, os jovens aplicam o líquido sobre um tecido e retiram o excesso de água.

Depois de secar no varal, o papel, já reciclado, é separado do pano e levado para a prensa.

“A cada uma hora, todos os postos de trabalho se revezam e a idéia é sempre trabalhar com esses garotos o sentido do trabalho em equipe”, diz João da Cruz Filho, gerente de produção.

“Aprendi a ter mais paciência com as outras pessoas e conviver com as diferenças de todos. Eu aprendi a conversar mais em casa, a contar como foi meu dia”, diz Naiara da Cunha, 16 anos.

“Nós temos empresas que chegam pra nós e dizem ‘nós queríamos desenvolver esse produto, mas gostaríamos que ele tivesse uma cara social, uma cara e tivesse um conceito sócio-ambiental’. Então, tudo isso nós fazemos aqui: brindes, eventos, crachás, pastas, cadernos, enfim, tudo que é possível se fazer em papel nós desenvolvemos aqui com os garotos”, diz João da Cruz Filho, gerente de produção.

Com o dinheiro da venda dos artigos, o Instituto Reciclar mantém há 14 anos um projeto de capacitação profissional.

“Eles começam aqui com 14 anos, na oitava série, quando completam 16 anos são admitidos como empregados, com carteira assinada, ganhando um salário mínimo mensal. O nosso objetivo não é que o adolescente sai daqui especialista em reciclagem artesanal de papel, nós queremos que saia daqui tendo um embasamento suficiente para ir disputar o mercado com qualquer outra pessoa”, diz Paulo de Carvalho, gerente administrativo.

Além de garantir o primeiro emprego, o projeto também na complementa a formação escolar.

“A gente trabalha muita leitura, muita escrita, muito desenvolvimento de raciocínio, elaboração nas aulas de informática de currículo, de como fazer um projeto”, diz Moira Demange, coordenadora pedagógica.

Ex-aluno do Instituto, Marcos foi contratado para dar aulas de informática.

“Essas coisas mais corriqueiras do trabalho que eles vão utilizar no mercado de trabalho. Planilhas, como escrever um texto corretamente, fazer uma carta, essas coisas mais básicas”, diz Marcos Pereira, instrutor de informática.

Simone também foi aluna do Reciclar. Há dois anos trabalha numa das empresas parceiras do instituto.

“É uma questão de inteligência para o empresário contratar essas pessoas. São pessoas com muita capacidade, só precisavam mesmo de uma oportunidade, verdadeiras pérolas mesmo, que eu tenho encontrado nesses anos. Já são 10 anos que a gente contrata”, diz Mara Greb, empresária.

“Eu nunca pensei que eu fosse conseguir fazer faculdade que eu estou fazendo hoje, que eu fosse estar nos cargos que eu estou hoje e agora eu tenho novas, enfim, novas expectativas pra minha vida e tudo devido ao Reciclar”, diz Simone da Costa, ex-aluna do instituto.

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